
É certo! Um novo dia amanheceu
Mas, para o amanhecer, quanta negrura!
quanto inferno de sombra e de amargura!
E quanto purgatório, antes do céu!
António Correia de Oliveira
Penso muitas vezes em ti
e apetece-me falar-te,
e ver-te, e ter-te
Mas de mim e de ti
eu sei, sim,
eu sei muito bem
Nunca nos teremos
a não ser neste
sentimento sem nome
que nos une
Todo ele desejo
todo ele ânsia
todo ele raiva
todo ele resignação
todo ele tudo
todo ele nada
de nos termos
não nos tendo
Somos, sim
somos, tu e eu
a saudade sem fim
que gostamos de sentir
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor,
de esperança,
De imenso amor,
de esperança louca.
Alexandre O'Neill
Porém, existem outras...
palavras que nos mordem
como se tivessem boca.
Palavras de conveniência
de desamor,
de imensa dor,
de esperança... pouca.
sinto um cansaço enorme
como se me pisassem de noite quando durmo
sinto um cansaço, cansaço
e sem forças para escolher novo rumo.
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Éterea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
Natália Correia
No jogo mágico das sensações
no centro do sonho
lá estavas tu
estava eu
nós dois
no centro da dicotomia
sonho/realidade
no centro da inconformável
vontade de te amar.
Apetecia-me amar-te em Madrid!